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Tarifas de Trump ao Brasil geram incerteza

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O anúncio do presidente norte-americano Donald Trump, de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 1º de agosto, criou um cenário de incertezas para empresas e setores econômicos no Brasil. A medida, justificada por argumentos políticos relacionados ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, representa um desafio para as relações comerciais entre os dois países, de acordo com especialistas entrevistados pelo O Globo e CBN.

Carlos Primo Braga, professor associado da Fundação Dom Cabral (FDC) e ex-diretor de Política Econômica e Dívida do Banco Mundial, por exemplo, avaliou que “o nível de incerteza é extremamente elevado nesse momento” e que a administração Trump está “apostando em argumentos políticos ao invés de argumentos econômicos”. Para ele, embora não seja “o fim do mundo”, a situação exige estratégias para a diversificação das exportações brasileiras.

 

Setores mais afetados pela nova taxação

tarifas Trump
Foto: Pixel B/ Shutterstock
 

Os Estados Unidos representam o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com vendas que ultrapassaram US$ 40 bilhões no ano passado. Os principais produtos exportados incluem siderúrgicos, aeronaves, óleos combustíveis, petróleo, café e carne bovina fresca.

O setor siderúrgico brasileiro deve ser um dos mais impactados caso a medida seja efetivada. Segundo Primo Braga, “50% [de taxação às exportações] de qualquer forma vai ter um impacto significativo sobre o setor siderúrgico brasileiro”. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com os efeitos sobre uma indústria “muito interligada ao sistema produtivo americano”.

Nesse sentido, um relatório do Goldman Sachs projeta um impacto negativo de 0,3 a 0,4 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro com aumento efetivo de taxação das exportações.

 

Riscos da retaliação e alternativas

Uma resposta de reciprocidade, na visão de Primo Braga, pode ampliar o problema. À CBN, ele alertou para os possíveis custos disso: “se a gente impõe tarifas a produtos americanos em contrapartida ao que eles estão impondo a nós, quem vai pagar essa conta é o consumidor brasileiro”.

O especialista considera que retaliar seria um “tiro no pé” e que o caminho de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) está fechado, com o organismo multilateral esvaziado. Para ele, “virou questão política, ligada a questões de soberania do país”.

 

Estratégias de diversificação e novos mercados

Diante do cenário, o professor associado da FDC sugere que o Brasil “terá de conviver com esses 50% e diversificar exportações com o resto do mundo”. Braga menciona a possibilidade de “realimentar esforços no Brics” e de uma “aproximação ainda maior com a China”. Essa diversificação de mercados, ainda segundo ele, pode reduzir a dependência norte-americana. 

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, também declarou ao O Globo que “buscar, sem alarde, mercados alternativos, é um caminho provável, mas de longo prazo”.


Reações do setor empresarial

Enquanto a “super-taxação” de Trump ainda está no campo das ameaças, entidades empresariais brasileiras manifestaram preocupações e, de modo geral, estão defendendo a intensificação das negociações diplomáticas. 

A Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), por exemplo, publicou que o anúncio pode “causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países”.

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), por sua vez, considerou que a tarifa de 50% torna “praticamente inviável” a operação, afetando toda a cadeia produtiva. Já no setor calçadista, que registrava recuperação nas exportações para os EUA, o anúncio foi recebido como um “balde de água fria”, conforme publicou O Globo.

 

Perspectivas e recomendações

Carlos Primo Braga, da FDC, resumiu que o momento exige cautela e negociação diplomática. “É importante engajar em negociações, ver se há alternativas, porque simplesmente retaliar com argumentos de soberania nacional vai gerar custos para a economia brasileira”, disse à CBN.

 

 

Publicado em 22/07/2025 15:41

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