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22/05/2019

6 lições de liderança que podemos aprender com a série Game of Thrones

Neste domingo, a sofisticada trama, repleta de personagens e regada a vinho, sangue, reviravoltas mágicas e, muitos, muitos conflitos, chegou ao fim, encerrando assim oito temporadas onde o público ansiava por saber quem sentaria no Trono de Ferro. A séria não economizou na produção de insights sobre o comportamento humano no que diz respeito à capacidade (ou falta de) de liderança de cada personagem cotado ao trono.

“A série possui excelentes e péssimos insights em liderança, e no que se fazer em situações de gestão. Podemos entender as empresas como os reinos e seus gestores como os lideres representados na série, como reis ou personagens que representam um papel de liderança”, diz Mário Cunha, professor nas áreas de liderança e estratégia.

Segundo explica o professor, um dos pontos mais valiosos para um líder é sua visão estratégica, e ao longo das oito temporadas, expectadores puderam observar personagens utilizando esse pensamento.

Especialistas indicaram algumas situações, fatos e acontecimentos na série que poderiam embasar discussões sobre habilidades e desafios de liderança e pensamento estratégico.

1. Promessas cumpridas

O lema da família Lannister é, logo no começo da série, proferido por Tyrion Lannister. Ele diz: Um Lannister sempre paga suas dívidas.

“O exemplo dessa frase se aplica quando pensamos que uma empresa sempre deve cumprir o prometido. A falta do não cumprimento, faz você perder a credibilidade. Por isso, empresas devem prometer e traçar metas que são palpáveis, mesmo que a longo prazo”, diz Cunha.

2. Previsão de riscos

O lema da Casa Stark (o inverno está chegando) é um lembrete para a necessidade constante de previsão de riscos futuros. “Se eles não se preparassem, possivelmente não conseguiriam sobreviver. Por isso, víamos os governantes do Norte analisando, criando estratégias sempre alinhados com o real cenário”, diz Cunha.

Por outro lado, alguns dos acontecimentos mais marcantes e nefastos das temporadas anteriores foram consequência direta da falta de análise de risco, segundo Felipe Costa, consultor de recrutamento da Robert Half.

A morte de Ned Stark após a sua ida para o Sul, o derramamento de sangue no Casamento Vermelho, a captura de Jamie Lannister, a morte de Karl Drogo e a morte de Doran Martell são consequência de  atitudes carregadas impulsividade aliadas à negligência na análise de riscos.

Todo líder, antes de colocar um plano novo em ação, deve fazer análise prévia dos riscos envolvidos e evitar agir por impulso. “Muitos acontecimentos ali ocorreram e poderiam ser evitados, seja por ímpeto dos personagens ou falta de mensuração destes riscos também”, diz Costa.

As lideranças das empresas devem se atentar aos seus pontos crise e ter sua estrutura montada para aguentar eventualidades. “Pois como na série, se ela é pega de surpresa, seu caminho de retomada será ainda mais difícil”, diz Cunha.

3. Construção de alianças

Se nenhum homem é uma ilha, nenhum líder sobrevive sem fazer alianças e influenciar pessoas a trabalharem em prol de objetivos comuns.

“A construção de alianças confiáveis pelos gestores devem ser pautadas em interesses genuínos e na relação de ganha-ganha”, diz Costa.  Quando a relação ganha-ganha existe em uma negociação, ninguém sai com sentimento de que está perdendo alguma coisa.

Na série duas alianças estabelecidas em diferentes temporadas merecem atenção para os fatores, objetivos e desejos dos seus envolvidos: a primeira entre as casas Lannister/Tyrell/Bolton (enquanto funcionou) e a mais recente entre a casa Targaryen e Stark.

4. Conheça seus oponentes/competidores

A Guerra dos 5 reinos e a “morte” de Jon Snow pela mão de seus próprios comandados da Patrulha da Noite é um momento dramático citado por Costa para reafirmar a importância de conhecer os potenciais inimigos/ competidores para conseguir antecipar eventuais ameaças ou ataques.

Ao seguir seus valores sem flexibilidade, o Lorde Comandante Snow deixou de ouvir os seus liderados e acabou sendo traído, mesmo tendo ideais nobres. Muitos outros acontecimentos ligados a Jon Snow, na série, trouxeram esse aprendizado ao personagem. Com as lições aprendidas, Jon voltou e puniu seus traidores, para em seguida reconquistar o castelo da família Stark, Winterfell, e se declarar Rei do Norte.

5. Ousadia e empatia

“Se um líder quiser fazer algo de extraordinário ele deve ser destemido e ter coragem”, diz Costa. Jon Snow e Danny Targaryen, com todas as suas conquistas, deram mostras de que têm essas características de sobra e são dois dos personagens que mais evoluíram na prática de liderança ao longo das temporadas anteriores.

Com a coragem de criar e comandar três dragões, Danny pode não ser uma líder natural, o que fica evidente com a necessidade da participação de outras pessoas em suas decisões, mas isso pode ser muito bom, segundo o professor de liderança e estratégia. “Daenerys mostra que o líder precisa ser preparado, ter pessoas de confiança ao seu redor para ajudar na tomada de decisão. Aqui, vemos o que acontece com os conselhos administrativos”, diz.

A “Mãe dos Dragões” tem, no entanto, uma característica que faz toda a diferença no sucesso com líder: a empatia. Com essa virtude, ela conquista a confiança dos seus comandados.

“Daenerys adota uma postura em que ela convence o soldado a lutar por ela, por este ser o melhor caminho. Ao contrário de outros que obrigam seus soldados e seguidores”, diz o professor.

O especialista vê semelhanças com o dia a dia atual das empresas. ”O que vale mais? Um profissional motivado e com valores e objetivos alinhados ao da empresa? Ou um profissional desmotivado, desalinhado à missão e valores da empresa?”

6. Não se lidera a ferro e fogo por muito tempo

“Cersei Lannister é tão segura de si, que ignora muitas vezes a opinião de pessoas mais experientes e preparadas. Ela não se importa com os demais e nem com o que será feito para alcançar seu objetivo”, diz Cunha.

Seu estilo de liderança “ferro e fogo” é falho embora possa até dar resultados em curto prazo. “Essa forma de gerir é complicada, gera consequências a longo prazo e muitas vezes pode ser efetiva sim, mas também gerar crises, pois não olhará a 360º toda situação”, diz o professor.

Fonte: Exame

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