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05/04/2019

Assumindo riscos para inovar

Os principais eventos corporativos mundiais de inovação são fantásticos. Poderia citar um ou dois exemplos? Gente sorridente e em busca das novas tecnologias transformadoras em grande escala. Sugere-se que inovar é uma agenda cheia de glamour, ótimos resultados, investimentos significativos em pessoas, pesquisas, novos processos e com amplos resultados de mercado. De uma forma geral, nomes de empresas de tecnologia do Vale do Silício são muito citados como casos de sucesso.

Por outro lado, ao escutar diversos empreendedores é lindo o discurso relacionado às inúmeras tentativas de novos negócios, fracassos constantes, gestão desestruturada, liberdade para tomada de decisão e investimentos disponíveis com expectativa futura de retorno. Quem não gostaria de trabalhar em um ambiente destes? Todavia, estes mesmos empreendedores estariam obtendo resultados de caixa em seus novos negócios?

O dia a dia nas empresas não é exatamente um “mar de rosas”. Inovação é uma agenda bem mais complexa do que se imagina. Um dos principais elementos limitadores é, invariavelmente, a cultura organizacional. Após alguns anos trabalhando com pesquisas e projetos de inovação, o convencimento da importância deste assunto é evidente. Não adiantar querer inovar, sem gente treinada, inspirada e com muita determinação para escutar vários e sonoros “não”.

Outro elemento importante é a agenda da governança e do C-Level nas grandes empresas, em especial. Caso não exista uma estrutura adequada para inovar, ou seja, estratégia, recursos, investimentos, processos e indicadores adequados, a tentativa para a busca da inovação certamente será árdua. Aliás, quantos conselhos têm executivos com o entendimento adequado sobre inovação e não somente para resultados financeiros?

O discurso atual das empresas é do medo, dados os avanços das tecnologias digitais. No entanto, sem abertura para um novo processo de aprendizado e atuação em redes, será difícil avançar. Aqui mora outro elemento importante. Ninguém inova sozinho. Logo, a agenda de compartilhamento e o aprender fazendo é muito relevante. Ou seja, a curva de aprendizado é determinante. Mas a crença de que ainda é possível monopolizar mercados e conhecimentos é latente. Muitos executivos não perceberam que os conhecimentos atuais estão mudando rapidamente.

Ao tratar de riscos, também é preciso reavaliar os processos de mensuração de desempenho. Enquanto a agenda de controle de processos, qualidade total, gestão de operações e indicadores financeiros for predominante, o crescimento pela inovação será minimizado. Organizações inovadoras apresentam valores como autonomia, liberdade para testar novas soluções, visão dos clientes e propósito transformador de longo prazo. Reforço – “propósito transformador de longo prazo” e não resultados financeiros de longo prazo.

Neste sentido, a agenda da inovação também envolve como avaliar os colaboradores e adotar o “erro honesto”. Em outras palavras, os indicadores de curtíssimo prazo e ambientes muito controladores são uma aversão à fronteira do conhecimento aplicado. É preciso estimular ambientes prazerosos, desafiadores e em regime de iteração, contrários aos modelos mecanicistas usuais.

Finalmente, ao assumir riscos para inovar, presume-se a busca por novos contextos de negócios, quer seja nas grandes empresas ou startups. Tem-se em mente que o impossível pode ser realizado, construindo negócios relevantes, sendo o elemento central as equipes, muito menos as novas tecnologias ou burocracias sufocantes, que absolutamente trazem resultados somente no curto prazo.

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Esse texto foi escrito por Hugo Ferreira Braga Tadeu, professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral em Inovação e Empreendedorismo, com a colaboração de Igor de Oliveira, pesquisador do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC.

Fonte: Blog FDC



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